
Desde 1958 o senador Pedro Simon está no cenário da política brasileira. É respeitado e admirado por aliados e opositores. No entanto, esse respeito e admiração se devem ao modus operandi de como se fazer política no Brasil. Pedro Simon se acha acima da ética, como se fosse uma espécie de super herói da política brasileira, uma espécie de bom velhinho. Seus erros passam despercebidos e ninguém quer falar sobre o seu lado perverso. Pedro Simon é uma espécie de “Tião Gavião” da política brasileira e veremos porquê.
É descendente de imigrantes libaneses que chegaram a Caxias do Sul em 1922. Estudou em Porto Alegre no colégio Rosário, onde foi presidente do grêmio estudantil. Formou-se em Direito pela PUCRS e estreou no cenário da política em 1958, como vereador em Caxias do Sul, pelo PTB. Em 1962, foi eleito deputado estadual e na época do Ato Institucional nº 2, em 1965, ingressou no antigo MDB, sendo reeleito deputado estadual em 66, 70 e 74. Atuou como ministro da Agricultura no governo Sarney e foi governador gaúcho em 1986. Em 1990 renunciou ao governo do estado para concorrer a senador, cargo para o qual foi eleito. Coordenou a comissão parlamentar mista de inquérito que levou ao impeachment do presidente Collor e foi líder do governo Itamar Franco. Atualmente está em seu quarto mandato como senador.
A conquista deste invejável currículo se deve ao exercício da política dos nossos parlamentares brasileiros, que se organiza procurando preservar e fortalecer o interesse de alguns grupos econômicos, algumas famílias e grupos autoritários. Os grupos econômicos privilegiados sustentam as maracutaias políticas e estimulam a corrupção no país. Algumas famílias, que comandam os meios de comunicação em massa, direcionam informações com o intuito de manipular a opinião pública. Elas criam falsas verdades em prol de políticos e contra outros, assim, recebem em troca, privilégios legislativos e econômicos, para o bom andamento do negócio familiar. Com isso, quando grupos organizados se revoltam com esse exercício político, saem às ruas em busca de mudanças e é aí que os grupos autoritários entram, buscando calar e desqualificar os movimentos sociais. O mecanismo é perverso, porém eficiente, pois os mesmos governantes, que lucraram antes, continuam lucrando, não é mesmo Sr. Pedro Simon?
Ele ajudou o ex-deputado Antônio Dexheimer, principal suspeito da morte do jornalista e também parlamentar, José Antônio Daudt, quando interferiu nas investigações da maneira que podia, como “governador”. O próprio Sr. Pedro Simon declarou ao jornal Zero Hora - em 3 de junho de 2008 - que à época do assassinato andava desconfiado de grampos em seus telefones e afirmou: -Eu tinha uma pessoa que ia e voltava com recados. Ou seja, ele contava com a ajuda de um garoto de recados, pois existia o medo de que suas conversas se tornassem pública. Significa dizer que boa coisa ele não conversava quando na tentativa de ajudar um suposto assassino. O partido do senador Pedro Simon e seus aliados criticaram a atitude do Ministro Tarso Genro quando este renunciou ao cargo de prefeito de Porto Alegre para se candidatar a governo do estado gaúcho. Entretanto, o Sr Pedro Simon fez a mesma coisa em abril de 1990, quando renunciou ao cargo de governador e optou por concorrer ao Senado para o qual foi eleito e ninguém o criticou por isso. Pedro Simon coordenou a comissão parlamentar mista de inquérito que levou ao impeachment do presidente Collor (CPI do Impeachment)que tinha somente um laranja na jogada (PC Farias). Atualmente, não quer apoiar a CPI contra o governo Yeda que está cercado de laranjas capazes de tornarem PC Farias em um anjo de candura. Mais tarde, o Sr Pedro Simon virou líder do governo Itamar Franco que era o vice de Fernando Color, ou seja, Pedro Simon virou líder de um governo suspeito e ninguém o criticou por isso. Ele, durante a propaganda eleitoral da campanha de 2004 falou sobre as virtudes da renovação na política e sobre como 16 anos é um tempo que exige mudanças na política, numa referência ao período em que o PT estava na prefeitura da capital gaúcha. Caso alguém não lembre Simon já esta completando 16 anos no Senado, sem contar o mandato anterior, mesclado com quatro anos de governo do Estado.
É esse o homem que diz uma coisa e faz outra, parece bonzinho quando na verdade mostra outra face, mais assustadora e mais horrenda, é o verdadeiro “Tião Gavião” da política brasileira. Cuidado com ele, não podemos mais votar nele. Ao votar em Pedro Simon estamos legitimando a manutenção de políticas nocivas e cheias de privilégios para os seus integrantes. Na realidade já faz muito tempo que ele está lá enrolando e sem capacidade de mudar.
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